terça-feira, 14 de março de 2017

IV - FIM EM FILIGRANA

Lua em prata.
Posição fetal.
Som dos ponteiros
Tecendo
A Ausência.


S.C.M.

III - ENSAIO SOBRE A SOLIDEZ

Gira o sol à tua procura
E numa esquina do teu corpo,
Ajoelhado, colho flores
E facas.

Há sabor no desespero,
Há amor
Nos teus fluídos:
Há um homem,
O tempo e o sol,
Há medo.

E a vida
Dissolvida
Em uma tarde de domingo
Comove-se com o sorriso
Nu

Da menina entre os lençóis.

S.C.M.

II - ADORAÇÃO

Sob o teu abdômen
Reconfigura-se o Tempo.

Os homens percorrem a terra
 Horizontalmente
E se dissolvem na liquidez de um espírito febril
Metal efêmero.

Sob o teu abdômen
Reconfigura-se o Tempo.

Percorro a tua pele
Menina - minha terra
Verticalmente
E dissolvo dedos, lábios,
Língua
Linguagem contorcida
Da febre de meu espírito.

Sob o teu abdômen
Reconfigura-se o Tempo.

Adoração
Angústia agridoce:
Tua pele,
Minha terra.

Sob o teu abdômen,
Em tua terra, ontem,
Reconfigura-se o Tempo
E em minha pele -tua terra - é sempre

Hoje.  

S.C.M.

I - CÉU OBLÍQUO

O meu amor é cólera.
Como um cumprimento fraterno,
Segure, com calor e afeto, este punhal
Pela lâmina.

O meu amor é cólera.
A rudez das mãos,
O barro colorindo as unhas:
Tremor.

O meu amor é cólera.
E no retorcer da alma,
Na convulsão dos corpos,
Ao primeiro raio dia,

Do gelo se fez mar. 

S.C.M.